sábado, 1 de maio de 2010

Uma história de milênios, lutas e tradição


Dando continuidade à nossa série de postagens sobre Albi - palco da próxima etapa da 7ª temporada da GPL Brasil - nosso foco nesta publicação é conhecer um pouco mais sobre a cultura, as curiosidades e peculiaridades que esta histórica cidade francesa possui, em sua longa história.

A trajetória do surgimento das corridas e do circuito do município todos vocês já sabem. Agora, as memórias de Albi nos remetem a um longínquo passado milenar. A origem do nome da cidade gera controvérsias, já que suposições apontam que a nomenclatura deriva do prefixo celta "Alp" (que significa local escarpado), enquanto outras hipóteses remetem a uma associação para o nome "Albius", um cidadão notável que viveu na região na época romana, e para o termo "alba" - derivado do latim - que faz elo aos penhascos dos entornos da cidade.

Vista da catedral da cidade, a partir da Ponte Antiga

Mas, achismos à parte, o início da civilização albigense data de mais de dois mil anos de existência. Segundo estudos, o território de Albigeois foi conquistado pelos romanos no anos 51 a.C., embora indícios apontem que a região se tornou apenas uma base modesta das forças de Roma.

Margeada pelo rio Tarn, Albi só foi iniciar sua expansão de forma mais significativa depois de um milênio, quando - em 1040 - foi construída a Pont Veux, ou a chamada Ponte Antiga, fato crucial para a expansão das riquezas e urbanização do terrítório.

Porém, o fato mais marcante da história de Albi aconteceu nos séculos XII e XIII, quando o local foi importante centro de propagação do movimento cátaro, uma seita cristão politeísta, considerada herege e reprimida pela Igreja Católica. A disseminação da ideologia contrária aos princípios católicos culminou com repressões violentas na chamada "Cruzada Albigense", que durou 35 anos e resultou numa enorme série de mortos e o enfraquecimento dos cátaros.

Curiosidade: A banda de heavy metal Iron Maiden lançou em 2003, no seu disco "Dance of Death", uma canção chamada Montsegur, cujo conteúdo conta a história da Cruzada Albigense.

A Ponte Antiga possui quase mil anos e foi marco na expansâo econômica de Albi

Após esta violenta passagem, foi construída a obra que está entre os maiores marcos da civilização albigense. A catedral Sainte-Cécile d'Albi (chamada também de "Catedral de Albi") é uma impressionante obra arquitetônica constituída de pedras, cuja construção tem como marco ter durado quase 200 anos! Precedida por outras construções oriundas desde o século IV, a atual configuração gótica teve seu levantamento iniciado em 1282 e finalizado somente em 1480. Hoje, a catedral é um dos mais cobiçados pontos de visitação turística da cidade, assim como a velha ponte, o museu de cera e algumas casas históricas típicas da região.

Atualmente, a cidade - situada a aproximadamente 85 km de Toulouse - ainda possui na sua economia resquícios de uma época em que a cultura do carvão dominava as atividades da região. Mas desde os anos 90 o local se tornou notável pelos seus braços universitários, reagrupados em 2002 no Centro Universitário Jean-François Champollion. Outra atividade que ajuda no desenvolveimento da região é a indústria de laboratórios farmacêuticos Pierre Fabre.

A Catedral de Santa Cecília levou quase 2 séculos para ser construída e é uma das parincipais atrações turísticas da cidade

Entre as famosidades ligadas à comuna, podemos destacar o atleta Romain Mesnil, vice-campeão mundial no salto com vara em 2007; Georges Pompidou, presidente francês entre as décadas de 60 e 70; e Henri de Toulouse-Lautrec, renomado pintor do país durante o século XIX.

Além do automobilismo, a população albigense conta com a presença de dois times de rugby (SC Albi e RC Albi), esporte popular por aquelas bandas, além de ter sediado uma etapa da tradicionalíssima Volta da França em 2007, competição de ciclismo mais famosa do mundo.

Além das corridas, o aeroporto de Albi recebe aeronaves de pequeno porte

É nesta mescla de novas atividades e contraste com suas origens que o pouco mais de 50 mil habitantes de Albi mantém suas tradições e paixão pelo automobilismo. Com certeza, um local imperdível para se visitar.

Um comentário:

Gusz disse...

Sensacional post Raoni, valeu!