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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Dupla da Pipoca fatura dobradinha e Ricardo Ramos faz história no GP do México


Como o automobilismo (mesmo que virtual) é surpreendente! Há duas semanas atrás, a Pipoca Racing lamentava o azar de Ricardo Ramos e John White nas ruas do principado de Mônaco. Após realizarem o 1-2 no grid de largada, o time capitaneado por Ico Oliveira viu suas chances de vitória de desfazerem em questão de poucos segundos.

Mas, justiça seja feita, o GP do México, realizado no último domingo (17) serviu para confirmar aos fãs da liga que a incrível velocidade mostrada pela dupla em Mônaco não foi obra do acaso. Só que desta vez a dupla Ramos-White deu um chega-pra-lá no azar e dominou as ações do evento mexicano, ditando o ritmo desde o treino classificatório até as voltas finais da prova.

Muito mais do que a dobradinha, Ricardo teve inúmeros para comemorar sua brilhante vitória neste último final de semana. Ele conquista o segundo triunfo da sua carreira na GPL Brasil, logo no mesmo palco onde subiu ao lugar mais alto pódio pela primeira vez, em 2007. Seria coincidência do destino ou o veloz piloto já pode receber a alcunha de "Mister México"?

Ricardo Ramos mostrou que se sente à vontade no México e venceu com maestria, de ponta a ponta!

Coincidência ou não, o fato é que o sucesso da Pipoca Racing causa espanto aos rivais. Com a dobradinha e o sexto lugar de Ico Oliveira, o time saltou para a liderança do campeonato de construtores, e já coloca Ricardo, novo vice-líder da temporada, e John (atual sexto colocado) de volta na briga pela liderança do campeonato.

Desde os treinos preparatórios nos dias antecendentes à corrida, Ricardo mostrou que era forte candidato à vitória na etapa, e fez questão de confirmar as previsões no treino classificatório, como mostram os números abaixo.

Pos No Driver Team Nat Time Diff Laps
1 17 Rica Ramos Lotus BRA 1m47.496s 8
2 16 John White Ferrari BRA 1m48.195s 00.699s 8
3 20 Thiago Lemos Lotus BRA 1m48.276s 00.780s 9
4 2 Otavio Silveira Ferrari BRA 1m49.159s 01.663s 9
5 9 Raoni Frizzo BRM BRA 1m49.326s 01.830s 8
6 8 Fernando Tumushi Ferrari BRA 1m49.489s 01.993s 8
7 14 Eduardo Gaensly Lotus BRA 1m50.022s 02.526s 8
8 6 Alan Lopez Ferrari ARG 1m50.425s 02.929s 10
9 7 David Sochenna Lotus POR 1m50.554s 03.058s 10
10 10 Ico Oliveira Ferrari BRA 1m50.745s 03.249s 8
11 3 Nico Fontana BRM ARG 1m50.856s 03.360s 8
12 1 Toni Andrade Ferrari BRA 1m50.998s 03.502s 6
13 19 Caio Lucci Ferrari BRA 1m51.461s 03.965s 6
14 13 Onyas Claudio Ferrari BRA 1m53.085s 05.589s 5
15 12 Ricardo Miron Brabham BRA 1m53.528s 06.032s 9
16 18 José Botelho Eagle POR 1m56.860s 09.364s 9
17 11 Dener Silveira Ferrari BRA No time No time 0

Após a largada, Ricardo Ramos seguiu soberano até a bandeirada final, mas não sem antes duelar com seu maior adversário, Thiago Lemos. O piloto capixaba da Thunder Racing partiu com tudo e logo na primeira volta ultrapassou John White, assumindo a vice-liderança. E logo nas primeiras voltas foi decidido pra cima de Ricardo para buscar a liderança. Os pilotos chegaram a ficar lado a lado, mas logo a seguir Thiago acabou errando uma freada e se acidentou, perdendo tempo e a chance de vitória.

John White se recuperou dos acidentes de Mônaco e fechou a dobradinha da Pipoca Racing

O dia foi tão bom para a Pipoca Racing que ela viu de quebra os dois líderes do campeonato abandonarem a disputa. O até então vice-líder Raoni Frizzo vinha fazendo ótima exibição em sua BRM, até que apresentou problemas e teve de retirar logo nas primeiras voltas. Já o ainda comandante da tabela, Nico Fontana, não apresentou um rendimento similar ao das duas primeiras corridas e abandonou na metade da prova, desclassificado em virtude de uma manobra para evitar um acidente, onde teria cortado caminho em uma chicane.

Já na Corrida 2, Helerson Maciel mostrou que está crescendo de produção e venceu de forma heróica, em uma batalha que durou até a última volta contra Hamilton Amorim, ausente nas primeiras etapas. Anderson Lopes também mostrou evolução e completou mais uma corrida, conquistando o 12º lugar na classificação agregada.

Eis os resultados finais da Corrida 1:

RACE RESULTS (After 25 laps)

Pos No Driver Team Nat Laps Race Time Diff Problem
1 17 Rica Ramos Lotus BRA 25 45m44.670s
2 16 John White Ferrari BRA 25 45m56.035s 11.365s
3 20 Thiago Lemos Lotus BRA 25 45m57.511s 12.841s
4 11 Dener Silveira Ferrari BRA 25 46m02.469s 17.799s
5 14 Eduardo Gaensly Lotus BRA 25 47m25.357s 1m40.687s
6 10 Ico Oliveira Ferrari BRA 24 46m07.966s 1 lap(s)
7 19 Caio Lucci Ferrari BRA 24 47m30.549s 1 lap(s)
8 13 Onyas Claudio Ferrari BRA 23 46m05.688s 2 lap(s)
9 12 Ricardo Miron Brabham BRA 23 46m38.280s 2 lap(s)
10 3 Nico Fontana BRM ARG 9 17m30.012s 16 lap(s)
11 8 Fernando Tumushi Ferrari BRA 8 15m33.200s 17 lap(s)
12 9 Raoni Frizzo BRM BRA 5 9m28.982s 20 lap(s)
13 2 Otavio Silveira Ferrari BRA 5 10m01.472s 20 lap(s)
14 6 Alan Lopez Ferrari ARG 0 0m00.000s 25 lap(s)
15 7 David Sochenna Lotus POR 0 0m00.000s 25 lap(s)
16 1 Toni Andrade Ferrari BRA 0 0m00.000s 25 lap(s)
17 18 José Botelho Eagle POR 0 DidNotStart 25 lap(s)

Helerson Maciel manteve a regularidade e venceu a Corrida 2

E, após a unificação dos resultados, esta é a classificação agregada:

RESULTADO AGREGADO


1 Rica Ramos

2 John White

3 Thiago Lemos

4 Dener Silveira

5 Eduardo Gaensly

6 Ico Oliveira

7 Caio Lucci

8 Onyas Claudio
9 Ricardo Miron

10 Helerson Maciel

11 Hamilton Amorim

12 Anderson Lopes


Agora o próximo encontro das máquinas e pilotos da GPL Brasil é no próximo dia 31 de maio, quando será disputado o GP dos EUA, no pequeno e perigoso circuito de Watkins Glen. Será que a Pipoca Racing vai continuar varrendo a concorrência? Ou seus adversários conseguirão conter o ímpeto de seus velozes pilotos?

sábado, 25 de outubro de 2008

Irmãos coragem

Rodriguez. Uma família mexicana como muitas outras, porém esta não pode ser considerada uma família comum. Um pai empresário e de boas posses, que tinha espírito aventureiro, com dois filhos entusiastas da velocidade. Pedro Natalio Rodriguez Quijada, pai de Ricardo e Pedro Rodriguez de la Vega, era um acrobata de motocicletas que sempre impulsionou seus garotos a se interessarem por velocidade e desta maneira eles entraram de cabeça no negócio.

Ricardo era o irmão mais novo desta família e já com 15 anos começou a correr em GP´s nos EUA. Riverside foi sua primeira “vítima”. Ricardo entrou e ganhou a prova surpreendendo a todos a bordo de um Porsche de 1,5 Litros. Pedro, por sua vez, com apenas 18 anos participou de sua primeira corrida importante em Le Mans. Queria ter corrido em dupla com seu irmão, mas como este tinha apenas 16 anos foi vetado por ser considerado muito jovem para tal tarefa. Era inegável que estes dois irmãos possuíam um talento inegável e que dentro em breve figurariam no mundo da velocidade mundialmente.

A precoce morte de Ricardo Rodriguez impediu uma carreira promissora. Ele estreou na F1 pela Ferrari em 1961, no GP de Monza

Dito e feito, ambos os Rodriguez chegaram a Fórmula 1, porém com históricos distintos. Pedro participou de 54 GP´s por 4 equipes: Ferrari, Lotus, Cooper e BRM; Estas duas em particular deram-lhe as únicas duas vitórias de sua carreira, Kyalami 67 pela Cooper e Spa 70 pela BRM.

Ricardo participou de 6 GP´s oficiais pela Ferrari marcando 4 pontos e num GP extra campeonato no recém inaugurado Autódromo Magdalena Mixhuca no México, sofre um acidente na Peraltada onde acaba falecendo com apenas 20 anos de idade. O destino de Pedro não seria diferente, pois em outro acidente, desta vez em Nosring na Alemanha, em 71, também perderia a vida.

Duas vidas e dois heróis locais. Nada mais justo que o autódromo local fosse rebatizado com o sobrenome daqueles que colocaram o país na história da fórmula 1. Sendo assim, falemos sobre o Autódromo Hermanos Rodriguez, casa do próximo Grand Prix da GPL Brasil em 2008.

Já Pedro Rodriguez venceu duas provas na carreira, fazendo sua última temporada, antes da morte, de BRM, em 1971

Construído e inaugurado em 1962 no local onde era um parque público na cidade do México, sua primeira participação na formula 1 foi justamente o supracitado GP que vitimou Ricardo Rodriguez. Entretanto, mesmo com a tragédia tornou-se evento fixo no calendário do mundial na década de 60, até em 1970 sair devido à constantes superlotações, que geraram diversos pontos de falta de segurança no circuito. Voltou à ativa em 1986, saindo novamente em 1992. Além da Fórmula 1, a Nascar, Champ Car, A1 GP e dezenas de outros campeonatos locais passaram por este circuito.

Em 1967 eram 5000 metros, hoje 4.438 metros separam a bandeira verde da linha de chegada neste sinuoso e ondulado circuito. Em suma Hermanos Rodrigues é um circuito complicado por natureza, pois fica situado a 2.285 metros do nível do mar, onde o ar torna-se rarefeito e complica tanto os motores quanto aos propulsores dos bólidos; Seu piso é sempre ondulado, pois existe uma peculiaridade no local onde foi construído, as placas tectônicas localizadas quilometros abaixo da superfície estão em constante movimentação, o que ocasionam as imperfeições da pista.

O ponto alto deste GP é a curva Peraltada, que traz para a linha de chegada. Inclinada, proporciona velocidades muito altas e não é atípico termos acidentes nesta curva. Além de Ricardo Rodriguez, Ayrton Senna em 1991 sofreu um acidente onde perdeu a traseira do carro e batendo na barreira de pneus acabou capotando. Algumas lesões e fortes dores acompanharam-no durante a prova. Em 88 Phillipe Alliot também sofreu um grave acidente logo após a saída da curva.

A primeira prova oficial da F1 no México foi em 1963. Jim Clark faturou, assim como na extra-oficial, em 1962!

Tentando evitar todos os perigos e superar os desafios desta prova mexicana os pilotos da GPL Brasil chegam para a prova neste domingo dia 26/10. Este ano diversos pilotos tem chance de subir ao degrau mais alto do podium. Felipe Gamper, Raoni Frizzo e Otávio Silveira são uma constante nas apostas para o 1º posto após a bandeirada. Quem vem se destacando e muito é Dener Silveira, agora de casa nova na equipe de Dan Gurney. Sempre muito rápido Dener planeja ser a surpresa do final de semana, mesmo cumprindo uma punição e largando da última fila. Correndo por fora vem Thiago Lemos, John White e o vitorioso da prova no ano passado, Rica Ramos.

A briga no campeonato é ferrenha em diversas posições e ficamos na expectativa da difícil prova em suas 25 voltas para vermos quem conseguirá, primeiro, sair ileso de Hermanos Rodrigues, e quem sairá triunfante deste dramalhão mexicano!

Texto escrito por Fernando Tumushi. Valeu Fernando!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Raio-X: Mexico


Após bancarem o melhor estilo "Rick Mears", os pilotos da GPL Brasil encerraram suas atividades no oval de Indianápolis e agora partem para um diferente, mas nem por isso menos complicado, desafio. No próximo domingo, dia 26, será disputada a 19ª etapa da temporada 1967. Ainda na América, os competidores desembarcam no México, onde correrão no autódromo da capital do país, Cidade do México.

Muito seletivo, o traçado mexicano privilegia um carro muito estável e os bólidos mais leves. Boa notícia para os pilotos de Brabham, Ferrari e Cooper, que seguirão mais de perto as poderosas Eagle e Lotus. Já os pilotos da Honda e da BRM vão ter que se virar para manterem seus peso-pesados na pista pelos 5000 metros do autódromo. Sinuosa, com curvas de baixa velocidade e uma longa reta, ultrapassar aqui não é tarefa tão fácil assim. É o que vamos mostrar melhor numa análise mais detalhada da pista:

Maior desafio da pista, a Primeira Chicane pode causar muitos acidentes durante a corrida

A volta inicia na longa Reta dos Boxes, caracterizando o melhor ponto de ultrapassagem da pista. Porém, a manobra só é segura caso o competidor complete a ultrapassagem antes freada para a Primeira Chicane, muito diferente das habituais. Ela é iniciada com um raio longo para a direita em freada até ir fechando cada vez mais, levando a uma rápida perna para a esquerda. Sem dúvidas o ponto mais desafiador do circuito, onde qualquer erro de frenagem pode custar um acidente ou uma rodada.

Após a chicane inicial, uma pequena reta leva os carros a uma Segunda Chicane, também bastante diferente do convencional, com uma perna mais longa para a esquerda, seguida por uma seção bem mais fechada para a direita. Contorná-la bem pode ser fundamental para tentar passar seu adversário na freada para o Hairpin, ponto mais lento da pista, feito em 1ª marcha. após o grampo, uma Terceira Chicane, esta mais simples que as demais, leva os pilotos para um dos pontos-chave para uma boa volta.

Lugar mais lento da pista, o Hairpin pode ser uma alternativa para as ultrapassagens

Os Esses são uma seqüência de curvas para a direita e para a esquerda, feitas em 2ª e 3ª marchas. Aqui um bom acerto do carro é decisivo para o piloto buscar uma volta rápida. Conhecer o traçado também é fundamental, pois ao errar uma das curvas, toda a seqüência restante pode ser comprometida.

Finalizados os Esses, é hora de chegarmos a uma das curvas mais famosas, a Peralta (ou Peraltada). Feita em 3ª marcha, é uma longa tangência para a direita, com uma notável inclinação, proporcionando vários traçados. Alguns pilotos a preferem contornar mais próxima da linha interna possível, outros preferem "alargar" a entrada numa tentativa de sair mais lançado para a Reta dos Boxes. de qualquer maneira, saber contorná-la bem é item obrigatório para buscar uma ultrapassagem no retão.

Contornar bem a Peralta é importante para tentar ultrapassar na Reta dos Boxes

Curioso para conhecer a pista? Então curta uma volta pelo divertido traçado de carona com o piloto Raoni Frizzo, a bordo de uma Cooper T81b. A trilha sonora que acompanha o vídeo é da banda local, "Los Straitjackets", com a música "Chica Alborotada".